10th February 2013
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fev
Resolvi responder à 2º Proposta do blog: “…Quem escolher essa proposta vai ter que nos contar em um parágrafo o que faria se descobrisse ser um bruxo. Use da imaginação e boa sorte!…” e meu texto ficou assim:
A persiana não estava totalmente aberta, os raios de sol se infiltravam pelas frestas e insistiam em me dizer que era hora de me levantar, sem pressa, caminhei até o banheiro, em meio a um bocejo, emiti um som estranho e quase caí para trás quando o espelho se rachou na horizontal, parecia uma cena de filme de terror, minha mente buscou explicações, não as encontrei, mas, devia existir um motivo, tentei reproduzir o ruído, sem sucesso, talvez fosse uma coincidência, eu precisava de um novo espelho. Alguns dias se passaram sem novos incidentes, mas, as coisas pioraram quando tossi fogo, isso mesmo, tossi uma labareda azulada que chamuscou minha mão, e, segundo depois o telefone tocou, era minha tia avó Neli, ela falava muito rápido e só entendi que ela estava chegando em breve e que eu não precisava me preocupar, tomei outro susto quando, logo após colocar no gancho o telefone, bateram na porta e a vi pelo olho mágico, se não tivesse visto o número da casa dela pelo identificador de chamadas, teria achado que ela tinha ligado de um celular.
Nossa conversa foi estranha, ela me disse que um poder milenar tinha ressurgido em mim, e que a cada geração, apenas um ou dois de nossos familiares nascia com este dom, eu ainda estava resistente quando ela “tossiu” fogo para o alto.
- Somos bruxos, estou aqui para ajudá-lo a se acostumar com seus poderes!
Foi uma mudança radical no meu conceito de mundo, mas, desde então, tenho usufruído de poderes inimagináveis e que ficam cada vez mais fortes, viajo por todo o mundo simplesmente me materializando onde quero, posso ir ao fundo do mar absorvendo o oxigênio da água, entendo os animais, não preciso trabalhar pois posso simplesmente te fazer ter vontade de me dar seu dinheiro ou posso entrar em uma loja e sair com muitos presentes, sei que não é bonito, mas, isso não é um livro, se tenho poderes é para usá-los, não seria inteligente ter tudo isso e continuar em uma cabine de telemarketing, né?
19th January 2013
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Aquele era mais um dia de trabalho, correr atrás do dinheiro para sobreviver, será que só a mim isso parece estranho? Um pedaço de papel criado por nós para representar um valor, um simples pedaço de papel que nos obriga a levantar cedo todas as manhãs e enfrentar trens lotados e caras feias no trabalho, um maldito pedaço de papel que faz um imbecil enfiar uma arma na sua cara e sem qualquer problema, te tirar a vida. Será que somos realmente tão inteligentes?
Sempre me fiz muitas perguntas, mas, não tive peito para ser filósofo, preferi o caminho seguro da contabilidade, a profissão de meu pai, e do meu avô antes dele, só esperava que meu filho, se um dia o tivesse, fosse mais corajoso e corresse atrás de seus sonhos ao invés de se curvar diante das expectativas alheias.
O trem estava atrasado, eu já previa um dia daqueles no trabalho, meu humor não tinha condições de ser pior naquele dia, mas, algo aconteceu, minhas nuvens de trovoadas foram rompidas por um arco-íris que abriu espaço suavemente, afastando a nebulosidade e trazendo o brilho do sol a minha mente. Nunca acreditei no amor, mas a paixão, esta sim, violenta e arrebatadora, acontece quando menos se espera, lá estava ela, se aquela bela visão não fosse tudo o que me interessava, talvez eu pudesse sentir a dor onde a seta do maldito cupido se cravou.
Talvez ela não fosse a mais bela mulher ali, mas, havia algo que a fazia ser especial, o modo como mexeu nos cabelos, seus passos graciosos, o belo busto que parecia ter sido desenhado milimetricamente perfeito em um programa de modelagem 3d ou por segurar livros (isso sempre deixa uma mulher mais sensual), o fato era que me senti preso a ela como uma pobre mosca presa à uma teia.
Todos os dias eu a via, o final de semana passou a ser torturante, observá-la pela manhã era minha fonte de energia, era como o sol para o superman. Eu estava criando coragem para me aproximar, consegui ver o nome do livro que ela lia, O Jogador Número 1, e em três dias li suas quatrocentas e sessenta e duas páginas, assim teria o que conversar com ela, mas, ela não apareceu no dia seguinte.
Duas semanas se passaram até que ela voltou, estava diferente, os olhos já não transmitiam a mesma alegria, sua postura denotava cansaço, imaginei inúmeras possibilidades, talvez uma gripe ou outro tipo de doença, uma morte na família, briga com namorado…percebi que nunca saberia e poderia ficar sem vê-la novamente caso não me aproximasse, o momento não parecia dos melhores, mas, eu precisava vencer a inércia e dar o primeiro passo.
Me aproximei, não sabia o que dizer, fiquei ali parado, o coração acelerado, sem coragem para abrir a boca, apenas admirando ela e me odiando por ser tão medroso. Mas, para minha surpresa, foi ela quem puxou assunto quando abri um jornal, sua voz me atingiu como um soco, não consegui entender o que ela disse, e talvez a tenha olhado com cara de idiota, e ela sorriu.
Passamos a conversar todos os dias, íamos juntos no trem, mas ela não falava muito sobre sua vida, eu, evitava perguntar, estava satisfeito com nossos poucos momentos juntos e acreditava que em breve ela se sentiria mais a vontade para falar, mas, este dia nunca chegou, em nosso último encontro, quando voltávamos do trabalho, dei a ela uma rosa que comprei de uma vendedora no trem, ela parecia muito feliz, disse que era a primeira vez que ganhava uma flor.
No dia seguinte, eu a convidaria para sair, mas, ela não veio, olhei para todos os lados para encontrá-la, até que meus olhos pararam na manchete de um folhetim sensacionalista, lá estava a notícia que pôs fim em meu romance da estação: Marido enciumado mata mulher a facadas, antes mesmo de ler, meu sexto sentido já me dizia que era ela, a notícia descrevia o que aconteceu, uma testemunha disse que o homem, violento e embriagado, atacou a mulher depois de encontrar uma rosa escondida em sua bolsa.
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