Espaço dedicado a divulgação dos livros e contos de Oafson Samurn Quem é Oafson Samurn?

4th March 2013

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Escuro

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Quando criança eu tive medo do escuro, não saber que tipo de criatura está à espreita, aguardando o boa noite dos pais e consequente apagar das luzes era algo muito assustador. Todos os cantos escondiam formas assustadoras que a luz do dia viria revelar, uma camisa pendurada, um boné. brinquedos, qualquer objeto virava um monstro em minha mente criativa e facilmente impressionável.

Chegada a adolescência, o escuro passa a ser um amigo, amassos no cinema (Não quero ver cenas violentas), áreas pouco iluminadas são as preferidas para brincadeiras incentivadas pelos hormônios em ebulição e a noite se torna uma promessa de diversão para os anos que virão.

O tempo passou, e hoje, já adulto, o medo do escuro volta, mas, com novo significado, é a escuridão da condição humana, violência, miséria, desespero, a ausência de valores, a dominação das subculturas fortalecem o “lado negro”.

Tenho saudade de quando temia os monstros de minha mente. Hoje não os enxergo mais, vejo a camisa, vejo o boné, vejo os brinquedos, mas, todas as manhãs me encontro com o medo nas notícias, pessoas se enriquecem com a ignorância alheia e pregam a intolerância.

Mesmo à luz do sol, o mundo está cada vez mais escuro.

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11th February 2013

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Meu novo conto: Rede dos Desejos

Rede dos Desejos

REDE

Noite solitária, posso ouvir sua respiração e sentir seu calor, mas, nada disso importa, três anos se passaram desde que noites assim eram cheias de desejo e do ardor de uma paixão que se apagou rápido, pequenas desavenças diárias e até mesmo bons momentos rotineiros assassinaram o sentimento que nos levou à um altar. O sono não vem, eu poderia ter coragem, juntar minhas coisas e resgatar uma vida que não era a melhor, mas, não me dava esta sensação de estar assistindo sempre o mesmo episódio de uma novela.

Me levantei, eram duas horas da manhã, fui para o quarto ao lado, onde estava o meu computador, aquele seria o dormitório de um bebê que nunca veio, ela não podia ter filhos. Procurava por algo de interessante na internet, eu precisava aliviar aquela pressão, minha esposa já não me despertava desejo, e eu me sentia bem flertando na internet, no controle do teclado, eu era quem quisesse ser, conhecia mulheres que me faziam sentir que estava vivo e que havia uma realidade melhor lá fora, me esperando romper as correntes, fugir do certo ruim para um duvidoso com alguma esperança.

Entrei em salas de bate papo, mas as mulheres ali estavam sendo disputadas à laço. Assisti à alguns vídeos adultos enquanto tomava uma cerveja, aquilo não ajudou muito, melhor dizendo, só atrapalhou, fiquei muito excitado, queria uma mulher naquele momento, sentir o toque macios dos lábios femininos, apertar seu corpo delicado junto ao meu e deixar com que minhas mãos explorassem os tesouros ocultos por camadas de tecido.

Sem alternativas, me lembrei do messenger, havia muito tempo que eu usava apenas a nova conta, afinal, depois de casado, temos que nos livrar de alguns segredos do passado. Sempre entrava com status invisível, tinha muita gente com quem eu não queria falar, fui passando pelos nomes até que encontrei um, muito especial, uma garota que foi minha musa na adolescência, perguntei a ela como estava, muita coisa tinha acontecido nas nossas vidas, ela também estava casada, tinha um filho de três anos e morava no bairro vizinho, conversar com ela me fez esquecer um pouco minha necessidade, até que perguntei o que ela fazia online aquela hora, aí o assunto começou a ficar interessante.

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Mais uma vez ele se levantou no meio da madrugada, aquilo vinha se repetindo noite após noite, meu marido passava horas no computador e depois voltava para cama, percebi que ele aguardava ansioso aquele horário e chegou a ficar de mau humor quando resolvi assistir um filme até tarde. O que ele estaria fazendo? A princípio, acreditei que estivesse apenas vendo pornografia, eu sabia o quanto ele gostava disso, já havia descoberto seu esconderijo de revistas e dvd´s, mas preferi não tocar no assunto, afinal, eu também tinha alguns momentos de querer escapar da rotina, mas, minha imaginação era muito mais rica que qualquer filme que ele pudesse assistir. Aos poucos, fui ficando curiosa, aquele comportamento era muito estranho para quem só queria ver sites de sacanagem, uma noite, resolvi descobrir qual era seu segredo.

A porta estava fechada, com muito cuidado, girei a maçaneta, pela pequena abertura pude perceber que ele digitava, não conseguia ver a tela, mas, a forma como seu corpo estava relaxado na cadeira e sua mão direita ia do teclado para a bermuda me diziam que ele estava gostado do que quer que fosse. Fechei a porta devagar e depois bati três vezes, pelo barulho, percebi que ele foi pego de surpresa, abriu ofegante e assustado, eu já conhecia aquela cara, ele não sabia mentir pra mim, perguntei o que estava fazendo e ele disse que havia esquecido de enviar alguns relatórios. Não discuti, sou do tipo que só acusa com todas as provas na mão, eu estava com raiva, ciúme de uma pessoa que a poucos dias atrás não significava muito pra mim, com receio de perder um casamento que já era um fracasso, o que estava acontecendo? Foi difícil dormir, tentei descobrir onde errei, o que eu fiz ou deixei de fazer para que o romance ardente se tornasse uma tolerância preguiçosa.

No dia seguinte, perguntei à um amigo fera na informática se era fácil descobrir uma senha e ele me falou sobre um programa que me permitiria monitorar tudo que fosse digitado no computador. Eu o levei em casa para que instalasse e configurasse o programa espião. Aquela definitivamente não foi uma boa ideia, enquanto ele fazia a instalação eu fui me trocar e ao voltar, percebi o seu olhar de predador espreitando um presa, pela primeira vez o vi como homem, reparei seus traços, seu rosto quadrado, queixo largo e barba por fazer, seu tórax volumoso e braços fortes, aquilo mexeu comigo de uma forma inesperada, eu estava muito carente e saber que um cara bonito como aquele me observava com desejo me deixou com um calor que a muito eu não sentia.

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O casamento dela não ia bem, ela suspeitava que o marido a traía, naquele dia, ele estava viajando, disse à ela que era a trabalho, mas deixou algum sinal de que não era esse o real objetivo da viagem, já que ela parecia estar certa de que ele estava com outra. Talvez fosse desejo de vingança contra o marido, mas, eu não perderia a chance, começamos a falar sobre nossas preferências e ela me contou detalhes de sua primeira vez, que foi com um professor do nosso colégio, não sei explicar o motivo, mas senti muito ciúme, naquela época eu era apaixonado por ela e jamais pensaria que ela estivesse transando com nosso professor.

O assunto seguiu para nossas preferências e tínhamos muitas em comum, a conversa estava muito excitante e deu vontade de continuar mais de perto, sem acreditar na possibilidade, propus uma loucura, um encontro no dia seguinte e a resposta digitada foi desafiante:

“Pq deixar para amanhã o que podemos fazer hoje?  Agora… :) “

Me imaginei pegando meu carro, indo até à casa dela, eu afagaria seus cabelos e a seguraria pela nuca, umedeci meus lábios ao pensar em beijá-la e não resisti, minha mulher continuava dormindo quando peguei as chaves…teria tempo para pensar em uma desculpa caso ela acordasse.

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Ele se aproximou mais, eu estava atônita, sua boca tocou a minha, não conseguia lembrar da última vez que tinha sido beijada daquela maneira, em uma fração de segundos a carência afetiva, a atração física e um forte desejo de vingança se chocaram violentamente com séculos de cultura machista, valores morais passados por gerações, disfarçados em contos de fadas e novelas, presentes no discurso dos nossos pais e dos líderes religiosos, toda essa carga esteve presente em minha educação, eu era uma mulher casada com um homem ao qual prometi amor, fidelidade e respeito.

Meu corpo tremia, o desejo escorria entre minhas pernas, mas, com toda minha força de vontade eu o afastei e sem jeito, pedi desculpas, agradeci e o acompanhei até à porta, ao fechar, me senti parte aliviada por ter resistido e parte tentada a chamá-lo de volta. Não foi difícil entender o que passou pela cabeça dele, eu era uma mulher que exalava carência, meu olhar era um constante clamor de afeto e uma súplica silenciosa pelo toque de um homem, eu o havia trazido para minha casa na ausência de meu marido, qualquer homem pensaria como ele.

Eu resisti, mas, aquela ousadia acendeu em mim algo que julgava já ter controlado, eu estava sozinha e resolvi que um demorado banho de banheira e um pouco de imaginação poderiam diminuir a intensidade do anseio que me tomava por inteiro, mas, estava enganada, meu marido telefonou dizendo que devido à uma emergência do trabalho, ele precisaria viajar, mas retornava no dia seguinte, mesmo por telefone eu era capaz de saber quando ele mentia, e não precisava mais de comprovação, só queria dar o troco.

Àquela noite, foi a minha vez de buscar diversão na internet, e, ao entrar no meu messenger, encontrei um velho amigo de colégio, um cara que foi apaixonado por mim, e conversamos por muito tempo, ele estava casado e infeliz como eu, o assunto foi chegando onde eu queria, a noite era perfeita, meu filho estava com a avó, ele disse que queria me ver no dia seguinte, mas não resistiu quando digitei:

“Pq deixar para amanhã o que podemos fazer hoje?  Agora… :) “

Aquela foi uma ótima noite!

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Aguardo comentários no blog…

http://contosoafson.wordpress.com/2013/02/11/rede-dos-desejos-completo/comment-page-1/#comment-190

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19th January 2013

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Na Estação

Aquele era mais um dia de trabalho, correr atrás do dinheiro para sobreviver, será que só a mim isso parece estranho? Um pedaço de papel criado por nós para representar um valor, um simples pedaço de papel que nos obriga a levantar cedo todas as manhãs e enfrentar trens lotados e caras feias no trabalho, um maldito pedaço de papel que faz um imbecil enfiar uma arma na sua cara e sem qualquer problema, te tirar a vida. Será que somos realmente tão inteligentes?

Sempre me fiz muitas perguntas, mas, não tive peito para ser filósofo, preferi o caminho seguro da contabilidade, a profissão de meu pai, e do meu avô antes dele, só esperava que meu filho, se um dia o tivesse, fosse mais corajoso e corresse atrás de seus sonhos ao invés de se curvar diante das expectativas alheias.

O trem estava atrasado, eu já previa um dia daqueles no trabalho, meu humor não tinha condições de ser pior naquele dia, mas, algo aconteceu, minhas nuvens de trovoadas foram rompidas por um arco-íris que abriu espaço suavemente, afastando a nebulosidade e trazendo o brilho do sol a minha mente. Nunca acreditei no amor, mas a paixão, esta sim, violenta e arrebatadora, acontece quando menos se espera, lá estava ela, se aquela bela visão não fosse tudo o que me interessava, talvez eu pudesse sentir a dor onde a seta do maldito cupido se cravou.

Talvez ela não fosse a mais bela mulher ali, mas, havia algo que a fazia ser especial, o modo como mexeu nos cabelos, seus passos graciosos, o belo busto que parecia ter sido desenhado milimetricamente perfeito em um programa de modelagem 3d ou por segurar livros (isso sempre deixa uma mulher mais sensual), o fato era que me senti preso a ela como uma pobre mosca presa à uma teia.

Todos os dias eu a via, o final de semana passou a ser torturante, observá-la pela manhã era minha fonte de energia, era como o sol para o superman. Eu estava criando coragem para me aproximar, consegui ver o nome do livro que ela lia, O Jogador Número 1, e em três dias li suas quatrocentas e sessenta e duas páginas, assim teria o que conversar com ela, mas, ela não apareceu no dia seguinte.

Duas semanas se passaram até que ela voltou, estava diferente, os olhos já não transmitiam a mesma alegria, sua postura denotava cansaço, imaginei inúmeras possibilidades, talvez uma gripe ou outro tipo de doença, uma morte na família, briga com namorado…percebi que nunca saberia e poderia ficar sem vê-la novamente caso não me aproximasse, o momento não parecia dos melhores, mas, eu precisava vencer a inércia e dar o primeiro passo.

Me aproximei, não sabia o que dizer, fiquei ali parado, o coração acelerado, sem coragem para abrir a boca, apenas admirando ela e me odiando por ser tão medroso. Mas, para minha surpresa, foi ela quem puxou assunto quando abri um jornal, sua voz me atingiu como um soco, não consegui entender o que ela disse, e talvez a tenha olhado com cara de idiota, e ela sorriu.

Passamos a conversar todos os dias, íamos juntos no trem, mas ela não falava muito sobre sua vida, eu, evitava perguntar, estava satisfeito com nossos poucos momentos juntos e acreditava que em breve ela se sentiria mais a vontade para falar, mas, este dia nunca chegou, em nosso último encontro, quando voltávamos do trabalho, dei a ela uma rosa que comprei de uma vendedora no trem, ela parecia muito feliz, disse que era a primeira vez que ganhava uma flor.

No dia seguinte, eu a convidaria para sair, mas, ela não veio, olhei para todos os lados para encontrá-la, até que meus olhos pararam na manchete de um folhetim sensacionalista, lá estava a notícia que pôs fim em meu romance da estação: Marido enciumado mata mulher a facadas, antes mesmo de ler, meu sexto sentido já me dizia que era ela, a notícia descrevia o que aconteceu, uma testemunha disse que o homem, violento e embriagado, atacou a mulher depois de encontrar uma rosa escondida em sua bolsa.

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Source: contosoafson.wordpress.com

9th January 2013

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Conto: Na estação

Aquele era mais um dia de trabalho, correr atrás do dinheiro para sobreviver, será que só a mim isso parece estranho? Um pedaço de papel criado por nós para representar um valor, um simples pedaço de papel que nos obriga a levantar cedo todas as manhãs e enfrentar trens lotados e caras feias no trabalho, um maldito pedaço de papel que faz um imbecil enfiar uma arma na sua cara e sem qualquer problema, te tirar a vida. Será que somos realmente tão inteligentes?

Sempre me fiz muitas perguntas, mas, não tive peito para ser filósofo, preferi o caminho seguro da contabilidade, a profissão de meu pai, e do meu avô antes dele, só esperava que meu filho, se um dia o tivesse, fosse mais corajoso e corresse atrás de seus sonhos ao invés de se curvar diante das expectativas alheias.

O trem estava atrasado, eu já previa um dia daqueles no trabalho, meu humor não tinha condições de ser pior naquele dia, mas, algo aconteceu, minhas nuvens de trovoadas foram rompidas por um arco-íris que abriu espaço suavemente, afastando a nebulosidade e trazendo o brilho do sol a minha mente. Nunca acreditei no amor, mas a paixão, esta sim, violenta e arrebatadora, acontece quando menos se espera, lá estava ela, se aquela bela visão não fosse tudo o que me interessava, talvez eu pudesse sentir a dor onde a seta do maldito cupido se cravou.

Continua…

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Source: contosoafson.wordpress.com